Descrição:
Imagine um mundo em que os livros constituam uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são terminantemente proibidos. Para extingui-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que antes se dedicavam a apagar incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se espalhe como epidemia. Para exaltar e fortalecer a alienação em que vive essa nova sociedade, anestesiada por informações triviais, as casas dispõem de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem “famílias” com as quais se podem dialogar, o que comumente hoje chamamos de reality shows, e esses programas fossem exibidos como se fatos reais.
O enredo bastante simples é ambientado numa cidade dos EUA, mas não há nada de futurista em sua paisagem; não há grandes aparatos tecnológicos ou aquela limpeza orgânica que costuma cercar as narrativas localizadas num porvir em que a ciência transformou o habitat humano num grande laboratório. A cidade de Fahrenheit 451, em resumo, é apenas um pouco mais sombria e opressiva do que a maioria das metrópoles contemporâneas, com seu misto de progresso industrial e deterioração do tecido urbano, onde moderníssimos meios de transporte atravessam bairros decadentes e onde as pessoas vivem na profunda solidão da modernidade. (...)
Fahrenheit 451 é não só uma critica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, a falta de comunicabilidade entre as pessoas, e sobretudo o vazio e a crise existencial sintomática do século XX e que ainda afeta muito seres humanos.
Ray Bradbury criou um mundo em que os livros entram em combustão a exatos 451 fahrenheit, o que equivale a 232.7777777778 graus Celsius. Publicado pela primeira Vez em 1953 inicialmente com o título de Fire Man, Fahrenheit 451 ainda instiga o imaginário do leitor do inicio do século XXI com sua metáfora de uma civilização onde o Livro é visto como algo subversivo.
Resumo por Dagoberto Domingos Teodoro, disponível na íntegra em
neste site.